A tortura no Brasil tem uma longa e sombria história, que se estende do “laboratório” da escravidão e dos porões da ditadura até as abordagens policiais e o sistema carcerário de hoje. Embora formalmente proibida, essa grave violação de direitos humanos permanece uma prática endêmica e seletiva. Partindo da sua vivência como Defensora Pública, testemunhando as marcas dessa violência nos corpos daqueles que assiste, a autora nos convida a uma profunda e necessária reflexão sobre a persistência dessa barbárie
em nosso cotidiano.
Com base em uma minuciosa pesquisa empírica, esta obra, fruto de sua dissertação de metrado, investiga o “diálogo de cortes” entre o Supremo Tribunal Federal e a Corte Interamericana de Direitos Humanos, revelando a resistente postura do STF em incorporar os parâmetros internacionais mais protetivos em matéria de tortura. O livro se torna, assim, uma ferramenta essencial para compreender os desafios em romper com um passado autoritário e fortalecer um sistema de justiça verdadeiramente comprometido
com a dignidade humana.