Há algo de errado quando a parcela de 1% dos adultos mais ricos possui quase a metade de toda a riqueza global. Também parece ser equivocado adotarmos uma ideia de sociedade em que há simplesmente vencedores de um lado e perdedores do outro. Esta não é uma sociedade boa, muito menos justa. Tudo indica que há injustiça na desigual distribuição dos riscos, da insegurança e da incerteza, o que, em sociedades de mercado, está substancialmente associado à desigualdade na distribuição de renda e riqueza. Afinal, os mais pobres merecem uma vida mais pesada, isto é, com menos bem-estar, enquanto os mais ricos merecem uma vida mais leve? Quais são as razões para estarmos seguindo a trilha determinada por uma economia de mercado que descarta os princípios éticos, mesmo diante dos indícios do poder corrosivo do capital flexível e da sua relação com o aprofundamento das desigualdades na distribuição de renda e riqueza e da injustiça social? Há motivos para acreditarmos que o nível atual de desigualdade é excessivo? As desigualdades na distribuição de renda e riqueza se justificam ou apenas procuramos dar um sentido às desigualdades? O ideal meritocrático é falho? O que as teorias que tratam da justiça social têm a nos dizer e como chegamos ao atual estágio do pensamento?