O Hiperciclo da Tecnologia convida o leitor a abandonar confortos humanistas e determinismos tecnológicos para observar a Tecnologia como sistema comunicativo autopoiético na sociedade funcionalmente diferenciada. Em vez de ferramenta neutra ou força cega de desumanização, a tecnologia aparece como hiperciclo autopoiético que recombina assemblies e estabiliza operações sob complexidade crescente, catalisando assimetrias de poder, riscos e novas formas de exclusão.
Entre a genealogia teórica que vai de Simmel, Heidegger e Simondon, passando por Zuboff e Hui (entre outros), à teoria dos sistemas autopoiéticos de Luhmann e ao modelo hipercíclico de Teubner, o livro reconstrói a evolução tecnológica das sociedades tribais à possibilidade de um futuro em que algoritmos transformam indivíduos em “cidadãos Big Data”. Ao propor a Tecnologia como sistema social autopoiético, reabrem-se possibilidades de debate sobre democracia, direitos, poder econômico e verdade sob a pressão da IA e das mídias digitais, oferecendo ao jurista, ao filósofo e ao cientista social uma descrição rigorosa e teoricamente afiada do papel da técnica na produção contemporânea de sentido e desigualdade.