O trabalho intitulado “A Rede do Ódio: uma investigação sobre os impactos na saúde das mulheres vítimas” analisa a violência de gênero praticada por meio das tecnologias de informação e comunicação (TIC) e seus efeitos sobre a saúde das mulheres. A pesquisa parte do reconhecimento de que a violência perpetrada através das TIC constitui uma extensão das desigualdades estruturais de gênero presentes na sociedade, sendo amplificada pelas dinâmicas próprias do ambiente virtual. O estudo examina conceitos e fundamentos da violência na rede, bem como sua relação com fenômenos contemporâneos como a misoginia digital, o antifeminismo e a chamada machosfera. Também são discutidas as categorias discursivas de hostilidade presentes nas redes, incluindo insultos, ataques e discursos de ódio direcionados às mulheres. Esse trabalho de pesquisa contextualiza historicamente essas práticas à luz das teorias feministas e das transformações sociotecnológicas da cibercultura. Ademais, analisa dados empíricos que demonstram a dimensão estrutural da violência digital e seus impactos psicossociais, como ansiedade, depressão e restrição da participação pública feminina. O trabalho investiga ainda a vulnerabilidade específica das mulheres nesse ambiente e a insuficiência das respostas normativas do ordenamento jurídico brasileiro. Por fim, propõe a necessidade de abordagens intersetoriais que integrem direitos humanos, justiça e saúde, bem como políticas públicas de prevenção, educação digital e responsabilização das plataformas, visando à proteção da dignidade e da saúde das mulheres no ambiente digital.