A hipótese central da obra é resoluta e, em boa medida, contracorrente: a de que existe em Rui Barbosa um sistema de pensamento político coerente, uma teoria liberal consistente, ao contrário do que sustentava a maioria dos intérpretes, que o liam ora como retórico vazio, ora como eclético contraditório. O autor argumenta que a aparente fragmentação dos textos ruibarbosianos resulta de uma leitura epistemologicamente inadequada, prisioneira da oposição entre teoria pura e práxis política. Adotando a perspectiva lefortiana da interrogação como constituinte da interpretação legítima, o autor procura reconstituir a lógica interna do discurso de Rui Barbosa em seus diferentes contextos de enunciação, vale dizer, parlamentar, jornalístico e jurídico, identificando em todos eles um fio condutor: a afirmação do Direito como forma racional de limitação do poder arbitrário e a democracia como dialética entre lei e liberdade, garantida pela autonomia do Poder Judiciário e pela organização federativa do Estado.