Descrição
O trabalho possui ousadia, coragem, urgência e profundidade. Construído a partir de referências teóricas precisas e adequadas, o autor desenvolve argumentação sobre o direito que é construído e achado na noite brasiliense: em suas festas, na boemia, nas manifestações culturais e artísticas do povo, na rua.
A cidade se torna espaço, território onde se realiza a cultura popular, por todo mundo que assim o desejar, sem distinções de classe, gênero, religião, etnia ou quaisquer outras diferenças que não podem gerar desigualdades.
A cidade é palco de disputa entre a especulação imobiliária e seu uso coletivo, pressupondo autonomia pública e privada de seus cidadãos, no processo de participação política e cultural face à cidadania, ao direito e à festa. Bem-vindo ao livro de Willy!
Alexandre Bernardino Costa
Nesta segunda edição, revista, ampliada e atualizada, é possível concluir que, do lançamento da primeira edição deste livro para cá, desde o episódio do engavetamento da revisão da Lei do Silêncio naquela mesma semana, tivemos praticamente uma repetição condensada de toda a cronologia descrita até 2021 na primeira edição de “Na Calada da Noite”. Ao fazer este alerta, remeto livremente à “correção” do prefácio de Herbert Marcuse ([1965] 2011) às sentenças introdutórias de “O 18 de Brumário de Luís Bonaparte”, de Karl Marx ([1852] 2011): “os ‘fatos e personagens da história mundial’ que ocorrem, ‘por assim dizer, duas vezes’, na segunda vez, não ocorrem mais como ‘farsa’. Ou melhor: a farsa é mais terrível do que a tragédia à qual ela segue”. Esse loop pode ser desanimador, por um lado, mas, por outro, reforça a tese defendida, as críticas e – esperamos que sim – ajuda a apontar o caminho da luta, da resistência, da insurgência, porque, de fato e de direito, a noite jamais se fará calar.